sexta-feira, 14 de abril de 2017

Quanto Tempo Temos?




Quanto tempo ainda tenho?
Preciso que a música não pare,
Vamos dançar até a última nota,
Gastar a sola do sapato,
Cansar o calcanhar
Sobrecarregar os quadris,
Vamos dançar até que o salão esvazie
Mas dançaremos juntinhos
Meu corpo unido ao seu
Seu cheiro enquadrado em mim
Quanto tempo ainda tenho?
Preciso que olhe para os meus olhos
Cole sua retina nas minhas
Mas não olhe muito fundo
Não poderá descobrir meus segredos
Os mais obscuros pensamentos
Não poderá tomar posse dos meus desejos
Só quero que me olhe,
Que tenha fome de mim
Quanto tempo ainda tenho?
Para que o meu fogo de vida
Não se apague tão cedo
Preciso que se queime em mim
Dançaremos até que esgotem o repertório
Até que nos digam que é o fim
Quanto tempo ainda temos,
Para que possamos nos dizer
Do amor que temos
de um para o outro
E seremos para sempre,
sim.
Ana Cristina da Costa
Imagem extraída do Pinterest.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

“Corpo cheio de defeitos”

Alma com deleites 
A mente e seus malfeitos 
Mãos, 
Retocadas de bondades
Se me deres um brigadeiro
Lamberei os dedos e os lábios
Bem devagar,
Fecharei os olhos em êxtase
Veja por você mesmo
O bem que me fará 
Minha pele brilhará
O suor escorrerá de desejo
Por ti
Sim o corpo tem defeitos
Ele te deseja mil horas ao dia
Embaraça os pensamentos
Enrola a língua 
Esconde o sorriso
Se me deres mais um 
Não sei o que verás......
Ana Cristina da Costa
Imagem extraída do Pinterest.









Uma Carta de Amor

Me pediu que escrevesse uma carta
Que nela tivesse um tanto assim do meu amor
Que nela eu pusesse um bocado de saudade
Um montão de felicidade
Uma pitadinha de safadeza e
Bastante sutileza
Mas a carta foi ficando gigantesca
Porque nela pus o nosso encontro marcado
Aquele dia em que nos encontramos a primeira vez
Foi um amor de olhar
De atração de cheiro
De alta voltagem ao beijar
De confusão ao pensar
Ou não havia nenhum raciocinar
Eu disse da nossa primeira vez no sofá
Também disse da vez no banco do carro
E de tantas e tantas vezes em qualquer lugar
Sei que queria uma carta de saudade
Mas os sentidos não obedecem
Enlouqueceram ao citar
Estamos longe um do outro
Não pude deixar de dizer
Que em todos os lugares do mundo
Existe uma de mim e um de você
Somos como átomos espalhados por aí
Fazemos a fórmula perfeita da física pelo nosso físico
Amo tanto você que nem vejo a noite cair
Fico a vagar pelo pensamento a te desejar
Vou citar nesta carta as vezes em que fizemos piquenique
Em que o parque todo foi testemunha do nosso amor
Vou dizer da toalha que nos encobriu da chuva caída displicentemente
Da garrafa de vinho deixada na grama com as taças
E dos corações marcados na árvore
Mas não posso dizer da grama servida de alcova
Apenas o tempo dirá por ela
Direi que deixamos marcados por aí pelos cantos do mundo
Selamos tudo e a todos com o nosso sorriso e nossa alegria
E por fim eu direi meu amor
Volte,
Essa carta não tem mais sentido sem você
Sei,
É mais uma carta de amor!!
Ana Cristina Costa
Imagem extraída do Pinterest









quarta-feira, 8 de março de 2017

A Celulose!!


A fada da sabedoria decretou que todos os seres humanos no mundo tivessem acesso às letras e as palavras. 
Mas a fada esqueceu que nem todos os humanos tem a mesma acessibilidade, tanto motora quanto material, então ela sabendo dos empecilhos resolveu tomar uma providência.
Pediu ajuda às borboletas. Para que elas espalhassem pó de sabedoria pela floresta. 
As árvores obedientemente absorveram o pó e o transformaram em algo que não sabiam o que era. 
Outras tiveram a função de se sacudirem em galhos, para que o pó de sabedoria chegasse até os homens na cidade.
Assim foi feito, o homem dotado de desejos e sonhos, adentraram o reino das árvores e extraíram delas a celulose para que se fizessem os papeis.
Outros embriagadas de pó até a alma tiveram a brilhante ideia de criar um código em alto relevo para que os cegos pudessem ler. Mas faltavam aqueles que não podiam escrever apenas ouvir e falar, então o pó da sabedoria mais uma vez beneficiou o humano com a inteligência para que ele criasse máquinas que pudessem falar.
Foram surgindo uns estabelecimentos onde as folhas de papel pesadas de letras fossem acomodadas em família, dando vida a um livro, criou-se a biblioteca.
As escolas puderam se servir deste benefício, o menino em casa pode ler mil estorinhas, os jornais puderam ser criados, as revistas com suas fotografias encantaram as mulheres mais que tudo e assim o mundo povoado de papel, pode ser lido e letrado em todos os sentidos.
Surgiram os poetas e os escritores, esses ficaram por último, pois quiseram absorver toda a história primeiro para só depois encantarem o mundo. 
Ana Cristina Costa
Imagem extraída do Google.









quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desnoiva,


A névoa não a impediu de vestir-se
De despir-se da convenção, 
Travestiu-se de negação

Cantou.

Ensaiou seu melhor, declamação
Calçou os calçados do não
Encravou em pele a mulher canção
Era melodia de grito e dor em porção
De ecos prantos e dissabores, imolação

Ela foi. 

A pisada forte no chão
Deixou marca em solo sagrado feito cão
Cuspiu em fotos e cordão
Chorou lágrimas ácidas e negras, fez borrão
Machucou o rosto e a mão·

Gritou.

Bramiu, urrou feito louca em vão.
É que o amor que sentia por João
Caiu no abismo do seu coração.
Sugou do ar sufrágio e pressão 

Rogou 

A praga cantada aos beatos em oração
Adentrou o recinto sagrado atirou–se ao chão
Beijou o solo pisado em madeira de demolição
Foi recebida por Deus, seu mais nobre refrão
Ana Cristina da Costa.
Créditos da Imagem: Pinterest.

Ciranda!


Eu abri a porta,
Por ela passaram muitas pessoas 
E foram embora,
Por ela vieram outras tantas, 
Nem todas ficaram,
Algumas deixaram flores no batente,
Outras arrancaram a cerca do jardim,
Umas me fizeram companhia no frio,
Outras me gelaram o coração.
Eu abri a porta e ela se escancarou,
Entraram algumas malvadezazinhas,
Uns bocadinhos de feiuras,
Entraram ventos e ventanias 
E varreram alguns valores,
Um dia bateu um vento daqueles,
Inesperado
A porta se fechou e trancou
Um silêncio se fez no grande vazio
Passou por todas as estações 
E a porta continuava trancada
Um dia veio uma singela borboleta 
E pousou na fechadura
A porta se abriu e
O sol entrou
Em seu rastro vieram brilhos de estrelas e
Raios de amor,
Um ventinho de leve varreu todo o pó
Eu pude ver lá dentro uma grande festa 
Eram a felicidade, a esperança, o amor 
E o tempo,
Brincando de roda.
Ana@Cristina.
Créditos da Imagem: Pinterest