terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Menino de Luz


Eu vi um menino nascendo
Ele não tinha corpo, era pura luz
Meus olhos ofuscados fecharam
De confusão se encheu minha mente
Aos poucos foi se amoldando
De corpo a luz foi tomada
Pude enxergar então
Era o menino Jesus
Na mão ele tinha uma cruz
Me disse olhando em meus olhos
- Um dia serei assim como tu
Não entendi o que ele dizia
Mas fui para casa de cenho franzido
Então o dia chegou que ele estava nu
Se despiu de todos os males
De todas as más vestimentas
Entendi o que ele disse lá trás
É que seríamos nós,
eu e ele filhos do mesmo pai.
Ana Cristina
Imagem:Google.




Pura Docilidade.



É tempo de natalidade
É tempo de caridade
O que a mão direita faz
A outra não sabe jamais
É tempo de serenidade
É tempo de amizade
Abrace o amigo agora
Não ponho a confiança fora
É tempo da pura verdade
Olhe a você na miragem
E veja o que faz o amor
em viagem
pegue a mão da criança
dê leite, pão e fraternidade
sente-se naquela paragem
espere que coma a mucilagem
Agora pode sorrir
Já cumpriu a sua parte.
Ana Cristina.
Imagem extraída do Google.




terça-feira, 15 de dezembro de 2015

E Se Eu fosse.




E se Eu fosse.....

Seu eu fosse
 Eu,
Não estaria aqui,
Estaria em outra instância
Seria feliz em abundância.
................................................
Se eu estivesse em mim
Me faria ficar
Me faria companhia e
Seria meu par.
..............................................
Mas eu estou lá
Em lugar qualquer
Onde o vento quer
Uma alma sem lar.
...........................................
Se eu fosse você
Faria de mim
Eu mesma
Cheia de defeitos sim
A te amar à mesa.
........................................
Quando eu voltar
Para dentro de mim
Me guardarei com carinho
Farei de mim meu ninho
Só para poder ficar.
.........................................
Mas guardarei um tantinho assim
Daquela outra eu
Que de vez em quando me foge
Procurando o breu
E o seu alforje.
Ana Cristina.
Imagem:Google.



Adventos.



Era difícil de acreditar
Agora, sozinha, sem par
Desiludida foi para a rua
Sem destino, sem rumo,
Uma mulher nua
Eles a olhavam com dó
Chorava, corria, garganta com nó
Clarice ouvia as palavras
A todo momento
Trocou o momento de amor
Por lamento
Encontrou um lugar bem distante
Deitou-se na grama mas obstante,
Olhou para o céu e pediu a clemencia
Tiraria sua vida, queria a anuência
Ficou entregue assim por horas
Mas o destino não fez o que quis, deu o fora
Clarice chorou abundante e copiosa
Adormeceu no gramado
Por um passarinho seu corpo acordado
Ele então disse a ela:
- sou tão pequenino, sou um passarinho
Busco longe comida, deixo filhotes no ninho
Talvez ao chegar nenhum eu encontre
Mas continuo a jornada
Porque essa é minha estrada
Peço a você que não vá
Olhe pro mundo, olhe pra lá
Clarice virou os seus olhos a leste
Eram crianças brincando sem veste
Mais uma vez ela chorou e chorou
Pegou o seu corpo e até lá o levou
De longe o passarinho só observou
Abriu suas asinhas e voou.
Ana Cristina.
Imagem:Google.

Inerência.




Inerência.

Necessidade,
Escrever,
Reescrever.
Sobras,
Faíscas,
Ideias,
Pulsantes.
Rodeia
Permeia
Salteia
A Folha
Inerte.

De repente...........

As letras se equiparam.
Há um corpo no papel.
DNA.
Nasce a vida,
A Poesia
Vazia.
Massa bruta......

Vem o amor e
Dá um toque
De varinha.
As letras mudam de lugar,
Criam luz e
Avivam o poeta

Ele chora.

Aborta a canção.
A caneta segue suave,
Uma Lágrima.
Há uma mancha no papel.
Desfaz-se a vida.
A canção.
Há uma lembrança.
Um sorriso.
Silêncio, o poeta pensa..........

Escorrem as letras
Á margem branca.
É madrugada,
 Há luzes nas calçadas.
A xícara sobeja.
Silencio ..........,
Dorme o poeta.
Ana Cristina.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

DECANTAÇÃO



DECANTAÇÃO . Celebração, exaltação em verso e canto/Processo de separação de misturas.


CANTO, CANTO, CANTO....
No canto do quarto escuro
é dor, é pranto, vermelho, tanto.
Não há piedade, sobriedade, espanto,
é chicote, é corte, forte, escorre,
sangue, suor, maldade, vida em carne.
Vergonha, animalidade, morte.
........................................................
CANTO, CANTO, CANTO.....
A voz ecoa, ressoa, no entanto,
corta a garganta de fome e sede.
É nu o homem sem manto,
é forte a dor e o seu pranto.
.....................................................
SANTO, SANTO, SANTO
É a carta, é a cota, é o Bantu,
é a palavra no livro dizendo outra coisa
é o olhar, o baixar do olho no chão,
é o grito imundo, DISCRIMINAÇÃO,
NEGAÇÃO.
.......................................................
CANTO O SANTO MANTO
Do mundo, dos quatro cantos,
do chão, da nação, imolação.
de onde sai Diamante,
a fome fica na mão, a mesma
que cava o chão.
...................................................
CANTO O ENCANTO DA BATUCADA
Do samba da mulata que em
lata d’água carrega, pesa a levada da lida,
da vida sofrida,
embutida em TINTAS COLORIDAS
no refrão da TELVISÃO.
....................................................
EU CANTO, CANTO E CANTO
Não olhe minha pele, não,
vê meu cabelo, meu olho,
meu corpo, minha boca,
que fala a mesma canção
você não é branco,
eu não sou negro não,
somos humanos
seres de uma mesma espécie,
Não?

Ana Cristina.
Imagem em uso, extraída da internet: Google.