sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

DECANTAÇÃO



DECANTAÇÃO . Celebração, exaltação em verso e canto/Processo de separação de misturas.


CANTO, CANTO, CANTO....
No canto do quarto escuro
é dor, é pranto, vermelho, tanto.
Não há piedade, sobriedade, espanto,
é chicote, é corte, forte, escorre,
sangue, suor, maldade, vida em carne.
Vergonha, animalidade, morte.
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CANTO, CANTO, CANTO.....
A voz ecoa, ressoa, no entanto,
corta a garganta de fome e sede.
É nu o homem sem manto,
é forte a dor e o seu pranto.
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SANTO, SANTO, SANTO
É a carta, é a cota, é o Bantu,
é a palavra no livro dizendo outra coisa
é o olhar, o baixar do olho no chão,
é o grito imundo, DISCRIMINAÇÃO,
NEGAÇÃO.
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CANTO O SANTO MANTO
Do mundo, dos quatro cantos,
do chão, da nação, imolação.
de onde sai Diamante,
a fome fica na mão, a mesma
que cava o chão.
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CANTO O ENCANTO DA BATUCADA
Do samba da mulata que em
lata d’água carrega, pesa a levada da lida,
da vida sofrida,
embutida em TINTAS COLORIDAS
no refrão da TELVISÃO.
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EU CANTO, CANTO E CANTO
Não olhe minha pele, não,
vê meu cabelo, meu olho,
meu corpo, minha boca,
que fala a mesma canção
você não é branco,
eu não sou negro não,
somos humanos
seres de uma mesma espécie,
Não?

Ana Cristina.
Imagem em uso, extraída da internet: Google.


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