sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Esperanaça






Mais um presente de amigo, essa imagem magnifica.


A Esperança


Com um esforço descomunal, me pus em pé mais uma vez

Era eu esquálida de fome e sede no abismo do meu ser

Olhei o céu que me olhava tão azul, quase me vi em nudez

Eram pedaços de mim entalhados. Refleti, estava a perecer.


Mas qual era minha alegria, nem tudo se deu por terminado

Estava eu a contemplar o quadro a mim pintado

Algo havia. Um ser que de soslaio me olhava cá pra baixo

Fiquei tão eufórica, em festa, era eu um ser alardeado.


Mas só agora me aparece assim tão acabrunhado?

Quanto tempo mau fiquei, aqui jogada, desfigurada?

Deverá ser o dia do juízo final, aquele dia tão bem falado?

De pronto tentei falar com a figura debruçada.


Logo meu semblante antes de sorriso iluminado

Se fechou em rigidez ante o comentário que ela fez

Estava eu ali guardada de muitos males malvados

Refleti então nas palavras dadas, sorri em tez


Haverá um dia, que eu irei subir ao céu

Pintar de cor de mel a nuvem branca

Verá então lá do mais alto degrau, um véu

Que a dor, a fome, a tristeza se pedir, Deus arranca.

Ana Cristina.

Imagem: Do meu amigo Artenovaral Brasil