terça-feira, 15 de dezembro de 2015

E Se Eu fosse.




E se Eu fosse.....

Seu eu fosse
 Eu,
Não estaria aqui,
Estaria em outra instância
Seria feliz em abundância.
................................................
Se eu estivesse em mim
Me faria ficar
Me faria companhia e
Seria meu par.
..............................................
Mas eu estou lá
Em lugar qualquer
Onde o vento quer
Uma alma sem lar.
...........................................
Se eu fosse você
Faria de mim
Eu mesma
Cheia de defeitos sim
A te amar à mesa.
........................................
Quando eu voltar
Para dentro de mim
Me guardarei com carinho
Farei de mim meu ninho
Só para poder ficar.
.........................................
Mas guardarei um tantinho assim
Daquela outra eu
Que de vez em quando me foge
Procurando o breu
E o seu alforje.
Ana Cristina.
Imagem:Google.



Adventos.



Era difícil de acreditar
Agora, sozinha, sem par
Desiludida foi para a rua
Sem destino, sem rumo,
Uma mulher nua
Eles a olhavam com dó
Chorava, corria, garganta com nó
Clarice ouvia as palavras
A todo momento
Trocou o momento de amor
Por lamento
Encontrou um lugar bem distante
Deitou-se na grama mas obstante,
Olhou para o céu e pediu a clemencia
Tiraria sua vida, queria a anuência
Ficou entregue assim por horas
Mas o destino não fez o que quis, deu o fora
Clarice chorou abundante e copiosa
Adormeceu no gramado
Por um passarinho seu corpo acordado
Ele então disse a ela:
- sou tão pequenino, sou um passarinho
Busco longe comida, deixo filhotes no ninho
Talvez ao chegar nenhum eu encontre
Mas continuo a jornada
Porque essa é minha estrada
Peço a você que não vá
Olhe pro mundo, olhe pra lá
Clarice virou os seus olhos a leste
Eram crianças brincando sem veste
Mais uma vez ela chorou e chorou
Pegou o seu corpo e até lá o levou
De longe o passarinho só observou
Abriu suas asinhas e voou.
Ana Cristina.
Imagem:Google.

Inerência.




Inerência.

Necessidade,
Escrever,
Reescrever.
Sobras,
Faíscas,
Ideias,
Pulsantes.
Rodeia
Permeia
Salteia
A Folha
Inerte.

De repente...........

As letras se equiparam.
Há um corpo no papel.
DNA.
Nasce a vida,
A Poesia
Vazia.
Massa bruta......

Vem o amor e
Dá um toque
De varinha.
As letras mudam de lugar,
Criam luz e
Avivam o poeta

Ele chora.

Aborta a canção.
A caneta segue suave,
Uma Lágrima.
Há uma mancha no papel.
Desfaz-se a vida.
A canção.
Há uma lembrança.
Um sorriso.
Silêncio, o poeta pensa..........

Escorrem as letras
Á margem branca.
É madrugada,
 Há luzes nas calçadas.
A xícara sobeja.
Silencio ..........,
Dorme o poeta.
Ana Cristina.