quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desnoiva,


A névoa não a impediu de vestir-se
De despir-se da convenção, 
Travestiu-se de negação

Cantou.

Ensaiou seu melhor, declamação
Calçou os calçados do não
Encravou em pele a mulher canção
Era melodia de grito e dor em porção
De ecos prantos e dissabores, imolação

Ela foi. 

A pisada forte no chão
Deixou marca em solo sagrado feito cão
Cuspiu em fotos e cordão
Chorou lágrimas ácidas e negras, fez borrão
Machucou o rosto e a mão·

Gritou.

Bramiu, urrou feito louca em vão.
É que o amor que sentia por João
Caiu no abismo do seu coração.
Sugou do ar sufrágio e pressão 

Rogou 

A praga cantada aos beatos em oração
Adentrou o recinto sagrado atirou–se ao chão
Beijou o solo pisado em madeira de demolição
Foi recebida por Deus, seu mais nobre refrão
Ana Cristina da Costa.
Créditos da Imagem: Pinterest.

Ciranda!


Eu abri a porta,
Por ela passaram muitas pessoas 
E foram embora,
Por ela vieram outras tantas, 
Nem todas ficaram,
Algumas deixaram flores no batente,
Outras arrancaram a cerca do jardim,
Umas me fizeram companhia no frio,
Outras me gelaram o coração.
Eu abri a porta e ela se escancarou,
Entraram algumas malvadezazinhas,
Uns bocadinhos de feiuras,
Entraram ventos e ventanias 
E varreram alguns valores,
Um dia bateu um vento daqueles,
Inesperado
A porta se fechou e trancou
Um silêncio se fez no grande vazio
Passou por todas as estações 
E a porta continuava trancada
Um dia veio uma singela borboleta 
E pousou na fechadura
A porta se abriu e
O sol entrou
Em seu rastro vieram brilhos de estrelas e
Raios de amor,
Um ventinho de leve varreu todo o pó
Eu pude ver lá dentro uma grande festa 
Eram a felicidade, a esperança, o amor 
E o tempo,
Brincando de roda.
Ana@Cristina.
Créditos da Imagem: Pinterest









SOBERANA!

Joguei as vestes e tudo que me reveste,
Pelo caminho, pela estrada, na calçada,
Ficaram tantos, pelos cantos, pelos ares,
As vontades, as verdades, os anseios,
Deixei as lágrimas, as saudades, as dores,
Sobraram raiva, ira, ódio, enfurecimento,
Endurecimento, animalidade,
VETERANA.....
Gritei meu posto, cravei o gosto, mudei o rosto,
Dei muitas ordens, impus a desordem, enlouqueci,
Vesti o manto, enxuguei o pranto, entoei um canto,
Era de amargura, a carne dura, brami aos santos,
Cuspi nas sagradas e coisas insanas,
E de vermelho, um manto alheio a cor do amor
Cobri a pele que ardia em fogo, louco ardor
SANTA......
Do lamaçal, do vendaval, do temporal,
Senhora de mim, na direção, do mal doentio,
Febril sorvi da noite o açoite, o mal,
Converti a bondade e a castidade em perversidade,
Onde havia luz impus o negro manto habitual,
Vontade animal, sou ser carnal, atemporal
IMORTAL....
Um sono sem igual se abateu sobre a terra,
Foram dias de tréguas entre a luz e a escuridão,
Até que o sol em sua subserviência ao homem
Renasceu, 
O que era lama, secou, o ser amorfo se escondeu,
A fúria gritou, esperneou mas cedeu,
Nos campos brotaram flores e o mundo, 
o mundo todo,
Enterneceu de amor!!!!
Ana Cristina da Costa.
Créditos da Imagem: Pinterest.

A Leveza do Amor!!!


Fêmea!!!


quinta-feira, 17 de março de 2016

MULHERES ETERNAS





Autoria: Vitor Castanheira e Ana Cristina
Vitor....
Mulheres do meu jardim
sem tempo
Rosas com espinhos que desfolhei
 Suaves eternas foram o alento
Das minhas desventuras que curei
Ana....
Curastes as dores da carne
Dos espinhos que espetei
Não sou rosa, sou cravo
Caídas as pétalas deixei
Vitor....
Cânticos de melodias tão suaves
Guardo em relicário no meu peito
Vão e voltam como se fossem aves
No meu hemisfério já bem desfeito
Ana....
Cantastes para mim oh! Meu caro
Melodias que chorei
Viajei por entre os mares
Do meu amado país
Vitor....
 Estendo-lhes a mão.
E um sorriso
Vem beijar-me a minha rugosa face Julgo que encontrei novo paraíso…
Ana...
Doute a ti meu bem amado
Minha mão e meu sorriso
De muito bom grado
Vitor....
Musas soletrando os meus poemas
Então sinto que se dá novo enlace
Alegro-me por ter escrito belos temas.
Ana...
Não chore pelos sulcos encravados
Eles são passaportes do passado
Sua alegria é bálsamo
Do poema enquadrado.
ARIEH NATSAC & Ana Cristina.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Impossibilidades


Penso que às vezes sorrio,
São só flexões
De uma carne rija.
As vezes os olhos avisam
É só lentidão
De pestanas pesadas.
Creio que a mão acena
É involuntário,
Tensão,
Mas 
Se penso em Você,
O coração dispara
É amor
Mais nada.
Ana Cristina
Imagem:Google

Só Por Hoje


Aconchego


Inspiração


Nosso Universo


Preciso da sua atenção?
Só quero um pouquinho
Olhe nos meus olhos
Fixe lá no fundo
Agora desarme os ombros
Abaixe as mãos
Sente-se em frente a mim
E num gesto de sobriedade
Respire fundo
Se quiser pode cruzar as pernas
Posso lhe servir água, suco ou café
Bebida com álcool não
Diremos algumas palavras sobre futilidades
Isso dará início à conversação
Pronto
Seremos breves, talvez
Se gostar dos meus argumentos
Poderemos passar um bom tempo por aqui
Eu, particularmente tenho tantas coisas a dizer
E você, talvez queira relatar a mim suas aventuras
E lhe direi os planos que tenho
Em relação a nós dois
Somos dois seres tão profundamente iguais
E tão imensamente diferentes
Sabe porquê?
Eu sou um universo
E você é outro, que atrai a mim, constantemente
E nessa atração diária
Nossos corpos carnais se dão em amor
É por isso que estou aqui, chamando a sua atenção
Enquanto o meu sol e a sua lua
Ainda brilham
Depois que a chama se for
Não haverá mais o momento
Só a fagulha da lembrança
Aí não haverá mais nenhuma atenção.
Ana Cristina.
Imagem: Google

Mulher Simplesmente!!!


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Para Maria



Como eu amo esta Maria
Menina com ar de alegria
Veio calma e sem jeito
peguei-a no colo
E o laço estava feito.

Quer fazer com sua avó
Brincadeiras de dar dó
Como eu amo esta Maria
Menina com ar de alegria.

Dos presentes que te dei
a maioria são livros.
Aos três meses vovó lia
Mil histórias pra Maria.

Como eu amo esta menina
Com ar de Maria
Penso nela noite e dia
Ela muda minha rotina.

Logo, logo crescerá
Uma moça vai virar
Vovó fica orgulhosa
Se a netinha se formar.

Como eu amo esta Maria
Menina com ar de alegria.
Ana Cristina.

Maratona



Percorri a extensão dos teus olhos,
O verde me confundiu um pouco,
Mas pude ver no fundo que o azul
Era a cor predominante
Percorri o tamanho da sua alma,
Ela me pareceu ofuscada,
Mas pude sentir o vazio eminente
Percorri a imensidão da sua fala,
Ela me dizia do amor que tem,
Mas pude sentir a validade,
Nenhum vintém
Percorri a vastidão da verdade
Ela me dizia que amar é vantagem,
Então, após tanta caminhada,
Sentei cansada da minha viagem,
Discorri em papel de seda,
Todas as impressões de ti.
Ana Cristina.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Descarado





Taí. O mascarado, o vi afinal
Alegria, confete, arlequim
Samba a mulata sem igual
Cantai tamborim
..........................................
Chove chuva de papel
Repique de repente
Sai da frente coronel
Dê passagem a toda gente
...........................................
Taí. O mascarado, o vi afinal
Guardava sua cara na bendita
Hoje aparece sem laço nem fita
És tolo, cara de pau
............................................
Chove chuva de papel
Contratos e acordos picados
Sua cama é daquelas com dossel
Enquanto morrem-se por todo lado
..........................................
Sem remédio sem comida
Cidadão acorda cedo e vota
Senão é prejudicado na vida
No bolso não há nada, nenhuma nota
...........................................
Taí. O mascarado, o vi afinal
Passou por mim vestido de bom moço
Talvez em outro carnaval
Sua roupa listrada o leve ao fundo do poço.
Ana Cristina.