quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Desnoiva,


A névoa não a impediu de vestir-se
De despir-se da convenção, 
Travestiu-se de negação

Cantou.

Ensaiou seu melhor, declamação
Calçou os calçados do não
Encravou em pele a mulher canção
Era melodia de grito e dor em porção
De ecos prantos e dissabores, imolação

Ela foi. 

A pisada forte no chão
Deixou marca em solo sagrado feito cão
Cuspiu em fotos e cordão
Chorou lágrimas ácidas e negras, fez borrão
Machucou o rosto e a mão·

Gritou.

Bramiu, urrou feito louca em vão.
É que o amor que sentia por João
Caiu no abismo do seu coração.
Sugou do ar sufrágio e pressão 

Rogou 

A praga cantada aos beatos em oração
Adentrou o recinto sagrado atirou–se ao chão
Beijou o solo pisado em madeira de demolição
Foi recebida por Deus, seu mais nobre refrão
Ana Cristina da Costa.
Créditos da Imagem: Pinterest.

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